segunda-feira, 25 de junho de 2012

Brócolis ou Couve-Flor?


Não, vocês não leram errado, e também não, eu não vou falar de comida (não porque eu ache um assunto chato, e sim porque eu simplesmente não entendo nada).

O fato é que foi essa “pergunta” que me incentivou a finalmente escrever esse post que planejo há um bom tempo.




Esse fim de semana eu, meus pais e meu irmão fomos pra Itanhaém porque o time de futebol do Senai que meu trabalha foi pra final, e com isso a gente ganha um fim de semana na colônia de férias onde vai ser o jogo. Lá na colônia o almoço é bem legalzinho, bem variado, e de salada tem bastante coisa todo dia.

Aí domingo eu peguei meu prato de comida e minha mãe estava indo fazer um prato de salada pra ela, como eu não como folhas simplesmente pedi que ela pegasse pra mim um pouco de brócolis e um pouco de couve-flor. Notei que ela pegou bem mais brócolis que couve-flor no prato e fomos dividindo, até que no fim eu tinha pego só tinha um couve-flor sobrando e ela falou pra eu comer, o que eu estranhei porque ela não tinha comido nenhum, aí perguntei “Você não come couve-flor?” e a resposta dela foi “Prefiro brócolis”.

E é aí que eu pergunto: é só a mim que essa frase irrita, ou mais alguém compartilha do meu pequeno problema? Vocês não entenderam? Bem, certo, vamos explicar e já levar pro tema que é o foco desse texto: por que tem de haver uma comparação em tudo que nos cerca? Parece que o ser humano está programado pra gostar de uma coisa ao mesmo tempo em que ele automaticamente tem de desgostar de outra.

No caso do brócolis ou couve-flor: por que você não pode gostar de couve-flor de você gostar de brócolis? Por que o verbo preferir? Quer dizer, eu não perguntei qual ela gostava mais, eu perguntei se ela não gostava de couve-flor, o brócolis não tinha nada a ver com a história. E você pode parar pra prestar atenção como a nossa volta tudo gira assim “Você gosta do Robert Pattinson?”, “Não, prefiro o Taylor Lautner”. Ou “Você gosta de Harry Potter?”, “Não, prefiro Jogos Vorazes”. Não são todos, mas muita gente vai acabar respondendo desse jeito. E por quê? Eu queria muito saber.

Uma coisa nesse quesito de comparação que sempre me irritou foi seriado. Todo mundo consegue arranjar comparação entre quaisquer seriados só pra poder pobremente justificar porque não gosta. O mais recente que eu vi foi entre Once Upon a Time e Grimm. Ambas as séries tem embasamento em contos de fadas e lançaram na mesma semana, entrando em hiatos no mesmo período e terminando na mesma semana, com a mesma quantidade de episódios. Mas isso quer dizer que de alguma forma as séries são parecidas? Não. Pra quem assiste as duas sabe que as séries são completamente diferentes. Mas sempre você pode encontrar alguém que viu uma das duas, não gostou, e usa como argumento “não gostei, prefiro a outra”, como se isso explicasse alguma coisa ou fizesse algum sentido.

Eu lembro há uns anos atrás quando House e Grey’s Anatomy foram lançadas. Simplesmente pelo fato de ambas serem séries médicas e terem sido lançadas no mesmo período de tempo já começou a velha história “Eu não gosto de Grey’s, prefiro House” ou “Eu não gosto de House, prefiro Grey’s”.

O absurdo do mundo das séries eu vi outro dia no orangotag. Em Touch tinha um monte de gente falando que a série era uma merda e que preferiam The Secret Circle. Por quê? Porque Touch foi renovada e The Secret Circle não. Mas as séries não poderiam tratar de temas mais diferentes. É simplesmente pelo gosto de comparar, até porque Touch não foi a única série renovada do mundo, e TSC não foi a única cancelada.

A ideia da comparação é ser usada em coisas semelhantes. Por exemplo, “Você gostou dessa blusa?” e a resposta “Prefiro a azul”. Agora comparar as séries que eu disse soa aos meus ouvidos como “Você gostou dessa blusa?” e a resposta “Prefiro aquele par de meias”. Quero dizer: por que você não pode simplesmente gostar dos dois? Ou mesmo se só goste de um (ninguém é obrigado a gostar de tudo) não use o outro como comparação, pois eles não têm ligação um com o outro.

Em suma, gostar de X não quer dizer que você não pode gostar de Y. Goste daquilo que lhe agradar, e desgoste do que não lhe agradar, mas não tenha em mente que você não gosta daquilo porque gosta do outro. O fato de você gostar de um e não de outro não quer dizer que você precisa compará-las. Eu poderia dizer “Não gosto de Modern Family, prefiro Doctor Who”, mas pareceria loucura para todo mundo, pois elas nada têm a ver. E é justamente o que digo quanto aos outros exemplos que usei, ou mesmo mais alguns como Glee e Smash, HIMYM e Friends, e etc.

Enfim, goste do que quiser, e odeie o que quiser, mas saiba diferenciar coisas diferentes de coisas rivais.

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