terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Livros Brasileiros: diga não ao preconceito

Antes de tudo quero esclarecer que eu não estou deixando de trabalhar pra escrever textos em plena luz do dia, eu simplesmente não tenho o que fazer e preciso ocupar meu tempo. Ser estagiário não é difícil quando parece. :)
Mas de qualquer forma, resolvi aproveitar o pique de escrever posts sobre livros pra trabalhar esse tema (eu tenho uma listinha de títulos de posts e volta e meia eu escolho um pra escrever, haha). Da mesma forma que o A importância dos livros essa ideia me é recente e acho que nunca vivenciei um momento melhor pra escrevê-la.
Sem mais delongas, eu convido você a ler este post e deixo o convite muito mais excitante de se aventurar nas obras que serão citadas.
Literatura nacional? Hum. (é aqui que você provavelmente torce o nariz e faz cara feia). Quer dizer, como o brasileiro pode esperar que as obras literárias produzidas aqui são boas quando o país não investe nada em educação, certo? Certamente não há pessoas aptas a escreverem um bom livro em um lugar formado por analfabetos funcionais. Mas aí é que você obviamente se engana, porque como em todas as outras coisas que poderiam ser discutidas, há o detalhe de que nós nunca, jamais, podemos generalizar nada. Então não, o Brasil não é um país inabitado por seres pensantes e capazes de nos emocionar com palavras.
Mas, aí você pára pra pensar, e percebe que na verdade o seu preconceito com livros nacionais não é pelo motivo muito bonito e bem suportado de que a educação do país está em decadência. Não, você não quer livros brasileiros pelo simples e puro fato de que eles são brasileiros. Parte de você deve estar negando isso agora, mas vamos aceitar, somos preconceituosos. Eu sei que eu sou, mesmo que negue, porque tem certas coisas que vão além da gente. Então, é, o brasileiro tem essa péssima mania de achar que o Brasil só serve pra futebol – e na minha humilde opinião de semi-leiga no assunto, o esporte aqui no Brasil está cada dia dando mais um passo em direção ao completo fracasso; e mesmo nos melhores dias o futebol brasileiro nunca vai ultrapassar o vôlei, mas deixo isso pra outro post - , e não mede esforços para falar mal do país que vive (não sintam tom de julgamento, eu sou uma das primeiras a falar mal do Brasil quando a discussão começa). Ninguém acredita nos filmes nacionais, nas bandas nacionais, nos livros nacionais... acho que já deu pra entender. E é então aqui que eu faço pra vocês a pergunta que eu me fiz há uns três anos quando estava no último ano da escola: por quê? Por que a gente tem essa ideia que tudo que vem do Brasil é ruim?
Como o meu foco aqui são livros, eu vou me controlar e falar apenas sobre isso, mudando a pergunta para “por que essa ideia que livros brasileiros são ruins”. E bem, eu estava em ano de vestibular quando me fiz tal pergunta e não foi difícil responder.
Entendam, eu aprendi a gostar de ler com Harry Potter. Eu tomei o gosto por páginas de livros por conta da beleza que o mundo mágico do Harry me proporcionou. Meu gênero favorito é fantasia, sempre foi e sempre vai ser, e eu me achava incapaz de visualizar coisas fantásticas acontecendo no Brasil. Aliás, era difícil imaginar qualquer coisa acontecendo no Brasil, porque vejam bem, nem o estereótipo de filmes estadunidenses em que dois adolescentes são amigos desde criança eu podia visualizar já que na minha escola era cada estudante de um canto da cidade! Então eu realmente não conseguia visualizar algum livro de fantasia brasileiro, se ele não ocorresse em outro país.
Mas então eu percebi porque exatamente eu pensava assim. Porque quando se fala em literatura nacional é praticamente um ultraje citar autores novos, livros recentes. Que escândalo! Não, literatura nacional de verdade são aqueles livros que somos obrigados a ler na escola, porque eles vão cair no vestibular e você vai se arrepender de não ter lido. É Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Jorge Amado. Vidas Secas e O Guarani. E, não estou retirando o mérito e a qualidade destes - tirando alguns, eu sou uma grande fã de literatura clássica brasileira -, mas o Brasil é mais que isso. Todos esses livros retratam uma época já vivida, uma parte importante da nossa história que precisa sim ser conhecida, mas não é só isso! O Brasil também tem tantas outras coisas a serem oferecidas que o verdadeiro ultraje é diminuir essa nação em épocas de desigualdade e miséria. Mas infelizmente o que nos é apresentado como literatura brasileira se resume a isso – e, aliás, somos meio que “obrigados” a ler isso, o que torna a leitura enfadonha mesmo que ela não seja – e daí surge nossa incapacidade de imaginar qualquer coisa além desse quadrado fechadinho de histórias.
E é aqui que eu lhe digo com toda a sinceridade: não é só isso. O Brasil tem sim vários tipos de histórias incríveis e diversificadas a serem contadas e elas mereciam receber mais destaque. Mesmo – pasmem! – no assunto fantasia. Apesar de um ramo pequeno, a literatura fantástica brasileira está crescendo e a única coisa que ela precisa pra continuar seguindo em frente é a ajuda de leitores; nós.
Você provavelmente já ouviu falar de André Vianco. Pois é, o cara brasileiro – que mora em Osasco, logo ali (pra mim) – que escreveu vários livros sobre vampiros e mais alguns sobre outros assuntos. Ele deu sorte de fazer sucesso. Não digo sorte por ele ser ruim, não, eu gosto muito, mas é que pelo nosso cenário conseguir fazer sucesso com livros por aqui não é tão fácil. Mas ele é bom, e vale a pena ser lido. Seu livro Sementes no Gelo me deixou extasiada, e o livro A Casa me levou as lágrimas.
Mas novamente, ele não é o único brasileiro que escreve bem. Conhece Eduardo Spohr? Ele mora no Rio e é autor do livro A Batalha do Apocalipse (além de outros). Eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas todos os meus amigos que leram amaram e consideram Eduardo um excelente autor.
E não pára por aí. Não são apenas esses autores que conseguiram destaque que valem a pena. Recentemente li A Grande Criação de Nicolas de Dennis Vinícius, e permita-me dizer, o livro é incrível! Um dos melhores que eu já li! Atualmente estou lendo Territórios Invisíveis, da Nikelen Witter e repito minhas palavras quando digo: incrível! É quase vergonhoso que uma série como 50 tons de cinza tenha sucesso enquanto essas não.
Claro, como disse acima, não podemos generalizar. Há livros nacionais ruins? Claro. Mas novamente, estrangeiros também há. Acho que não preciso dizer que achei 50 tons terrível, certo?
Acredito que é tudo uma questão de oportunidade. Dê uma chance a um livro nacional, procure algum que te agrade (só citei literatura fantástica, mas hey, há muito mais além disso) e tente. Experimente. Não fique com medo de abrir um livro e ler suas palavras, porque o máximo que pode acontecer é você não gostar.
Em suma, simplesmente diga não ao preconceito.

11 comentários:

  1. Ai Naty, aplaudo de pé o que você disse porque é uma coisa que eu sempre defendi com unhas dentes: a literatura nacional. Por mais que minhas leituras da lit brasileira atual seja escasso (já ali alguns clássicos, amo José de Alencar *.* ) estou doida atrás dos livros do André Vianco (vizinho meu kkk Osasco é do lado da cidade onde moro!) e A Batalha do Apocalipse por seu tema muito interessante. Espero em breve, lê-los o quanto antes.

    Não só o fato dos leitores de língua portuguesa não valorizam sua literatura, às vezes são os próprios autores que não valorizam. Parece bizarro, mas já vi autores nacionais torcerem o nariz para a nossa cultura brasileira em seus lviros, utilizando um estrangeirismo barato nas suas histórias. Claro, nada impede de um autor escrever uma história que se passa nos EUA (se ele teve uma experiência lá, ótimo) mas tipo assim, tem autores que usam disso porque simplesmente não gostam de contar suas histórias em São Paulo, Rio, Minas ou qualquer outro canto desse nosso Brasil gigante. Sério, estrangeirismo em livros nacionais, se não tiverem um bom motivo para tal, algo convincente do por quê os personagens terem nomes estrangeiros ou a história se passar nos EUA ou qualquer outro lugar, eu passo longe e torço o nariz AHUSHAUHSAU :P

    Mas, eu ainda tenho esperanças de que as coisas nos próximos anos vão melhorar por aqui, até porque já está na hora de mudarmos nossa mentalidade - odiar o prato que se come e a cama que se dorme é ridículo, a mesma coisa com a nossa essência cultural.

    Bjos!! :D

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    1. Ai, amore, obrigada! Mesmo!

      André Vianco eu tenho uma penca de livros. Ñ sou a maior fã, confesso, mas ele escreve bem e os livros todos se passam na região de São Paulo. É muito gostoso de ler. O mesmo vale para A Grande Criação de Nicolas e Territórios Invisíveis, são todos em território nacional e isso faz toda a diferente. ABDA eu ainda ñ li.

      Mas vc tem razão, tem muito autor q ñ aprecia nossa cultura, q precisa usar de coisas de fora. Claro q as coisas de fora são legais, mas as nacionais tbm são.

      Como vc acredito q ñ vai demorar muito pra literatura nacional estar com maior destaque. Os autores cada vez mais tem invetido em publicar e cada vez mais os brasileiros estão dando chance a esse tipo de leitura. Espero q no futuro a literatura brasileira esteja tão forte quanto a estrangeira.

      PS. Tbm amo José de Alencar.

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  2. Eu comprei quase a coleção toda do André Vianco há uns anos, só li Os Sete até agora, mas minha mãe devorou praticamente todos. Acho que ela só tem mais dois livros pra terminar com a coleção. Raphael Draccon também tá aqui em casa me esperando. É bom variar de vez quando.

    Aliás, um dos livros que eu mais gostei de ler em 2011 foi Anjo - A Face do Mal, no Nelson Magrini. Livro muito bom de suspense sobrenatural, com Lúcifer "bonzinho", deuses e entidades de várias religiões e um baita enredo. Deixo a dica, se estiver interessada em mais livros de fantasia brasileira, Nelson Magrini é uma ótima pedida.

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    1. Confesso q ñ conhecia, mas com certeza vou colocar na minha lista!

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  3. Sim, também fui muito preconceituosa. E confesso que só deixei de ser ao ler A Batalha do Apocalipse. Adoro de coração Eduardo Spohr - fiquei 4 horas na fila da Bienal por um autógrafo - e ele realmente é um autor fantástico. Não só literalmente. :)

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  4. Tenho lido muitos autores nacionais. Adorei Dragões de éter do Draccon, os da Paula Pimenta (não são de fantasia), entre outros. A literatura nacional anda crescendo bastante e eu super apoio.

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  5. Maravolhosa abordagem, Todinho. temos mesmo que abrir os olhos pras coisas nossas, pq sim, tem coisa boa, e a descoberta começa agora. Amei vc ter levantando a questão pra nós (com maestria) e ficarei atenta ´às sugestões aqui colocadas =)

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  6. e no Brasil tem muita literatura de otima qualidade
    temos excelentes autores obras fantasticas como as obras de Jorge Amado João Guimarães Rosa com seu eterno e magistral romance Grande Sertão Veredas
    obras de Machado de Assis entre tantos outros

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  7. Muito, muito amor por você ter escrito algo assim. Porque, de fato, a literatura (e, principalmente a literatura fantástica) brasileira é escanteadíssima!

    Eu li A Batalha do Apocalipse e, preciso dizer, que livro genial! O Eduardo Spohr é um dos melhores autores brasileiros no ramo e, embora o livro dele me cause tanto sentimento de culpa quanto assistir supernatural (porque eu sou cristã e o livro é cheio de heresias! hehe), preciso reconhecer a genialidade do livro. Do Andre Vianco, li Bento e enlouqueci, mas me deu preguiça de ler mais coisas. Engraçado que foi na adolescência que eu comecei a ler mais livros nacionais. Somos muito bons de crônicas, contos e o humor brasileiro é um dos mais acidamente refinados de todos que conheço!

    Recomendo demais Silicone XXI, do Alfredo Sirkis (ficção científica super engraçada) e qualquer livro do Marcelo Rubens Paiva.

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  8. Vou responder num geral porque vocês são todos muito lindos e tem bastante comentário! *-*

    Eu acho uma delícia ver como tanta gente está dando mais espaço a literatura nacional, além de admitir que tinha sim o preconceito - porque, hey, eu tinha - e conseguiu passar por cima disso, pois há sim livros que valem a pena.

    E novamente quero só destacar que eu adoro literatura clássica brasileira, sou completamente apaixonada por José de Alencar (meu favorito).

    Obrigada demais por terem lido e gastado alguns minutos comentando!

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  9. PS. Eu adoraria que vocês me mandassem por PM ou mensagem no facebook ou mesmo e-mail autores novos (sejam de fantasia ou não) pra eu montar uma listinha. =)

    PS2. Filhote, vc me deu uma excelente ideia de tema pra post!

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