Voltei com mais uma entrevista para o nosso acervo! Confesso que estou ansiando por fazer esta há um tempinho. A entrevistada é Nikelen Witter, a Nika, conhecida no mundo das fanfics como Sally Owens. Minha autora favorita de fanfics e soon to be de livros também, ela terminou recentemente seu primeiro romance original, que está em edição e em breve estará na editora. Fiz cinco perguntas sobre essa transição e sobre sua escrita, e amei cada uma das respostas. Espero que vocês gostem e passem a conhecer todos os seus trabalhos!
01 - Você é uma escritora de fanfics bem conhecida e com bastante fãs, e, particularmente falando, maravilhosa! Como foi a experiencia de escrever um livro ao invés de uma fic? Foi muito diferente, mais difícil, ou a coisa fluiu com a mesma facilidade?
Obrigada pelo elogio, querida. Bem, escrever um livro ao invés de uma fic é bem diferente, apesar de tratar de processo semelhante. É semelhante por que pede planejamento, uma organização de capítulos (que a gente nunca segue, mas precisa ser feita como fio condutor). Por outro lado tem diferenças tão importantes e fundamentais que fazem com que a experiência seja completamente diversa. Primeiro, escrever um livro é muito mais solitário. Numa fanfic você tem um retorno quase imediato, capítulo á capítulo, sabe onde está acertando, onde está errando. Escrever fanfic pode ser uma boa aprendizagem se você tiver leitores legais e souber ouvi-los. Legais porque sinceros, e saber ouvir ajuda a ir limpando as arestas do texto.
Por outro lado, o trabalho é bem diferente quando se trata da narrativa. Numa fanfic, por mais que você coloque suas ideias, elas devem ter uma certa harmonia com a história original. Sem esta harmonia - ao menos da forma como eu encaro uma fanfic - ela fica descaracterizada, perde seu papel que é dar continuidade as impressões que a história original causa no leitor.
Já num livro original seu, a narrativa é toda sua. Você precisa descobrir seu universo de trabalho, seu ritmo, sua dicção própria. Precisa estar muito ciente de seus personagens. Não basta o "eu criei, eu sei como eles são". Você precisa ficar o tempo todo atento, pois isso envolve ações, reações, frases que podem ser ditas por um personagem e não por outro. Palavras que cabem a um personagem de uma faixa (etária, social, etc), mas ficariam estranhas na boca de outro. Neste senti, eu percebi uma outra diferença importante. Para escrever uma boa fic, você acabará voltando mil vezes ao livro (ou filme) do qual você tira sua matéria prima. Vai em busca de um olhar, uma vírgula, um mísero detalhe que o autor original não explorou e que você possa explorar. Ao escrever um livro, você percebe que precisa ler muitas coisas diferentes e não apenas ficção. É preciso ler livros sobre técnicas de escrita, aprender, estudar. É importante ter em mente que, por melhor que se tenha sido como ficwriter, é preciso ainda mais atenção e cuidado para ser reconhecido como escritor. Afinal, você não será buscado por escrever sobre um personagem ou história que os leitores já amam. É preciso conquistar os leitores para que eles o busquem por você.
Assim, você pode concluir que o processo todo foi mais difícil sim, mas não menos prazeroso.
Obrigada pelo elogio, querida. Bem, escrever um livro ao invés de uma fic é bem diferente, apesar de tratar de processo semelhante. É semelhante por que pede planejamento, uma organização de capítulos (que a gente nunca segue, mas precisa ser feita como fio condutor). Por outro lado tem diferenças tão importantes e fundamentais que fazem com que a experiência seja completamente diversa. Primeiro, escrever um livro é muito mais solitário. Numa fanfic você tem um retorno quase imediato, capítulo á capítulo, sabe onde está acertando, onde está errando. Escrever fanfic pode ser uma boa aprendizagem se você tiver leitores legais e souber ouvi-los. Legais porque sinceros, e saber ouvir ajuda a ir limpando as arestas do texto.
Por outro lado, o trabalho é bem diferente quando se trata da narrativa. Numa fanfic, por mais que você coloque suas ideias, elas devem ter uma certa harmonia com a história original. Sem esta harmonia - ao menos da forma como eu encaro uma fanfic - ela fica descaracterizada, perde seu papel que é dar continuidade as impressões que a história original causa no leitor.
Já num livro original seu, a narrativa é toda sua. Você precisa descobrir seu universo de trabalho, seu ritmo, sua dicção própria. Precisa estar muito ciente de seus personagens. Não basta o "eu criei, eu sei como eles são". Você precisa ficar o tempo todo atento, pois isso envolve ações, reações, frases que podem ser ditas por um personagem e não por outro. Palavras que cabem a um personagem de uma faixa (etária, social, etc), mas ficariam estranhas na boca de outro. Neste senti, eu percebi uma outra diferença importante. Para escrever uma boa fic, você acabará voltando mil vezes ao livro (ou filme) do qual você tira sua matéria prima. Vai em busca de um olhar, uma vírgula, um mísero detalhe que o autor original não explorou e que você possa explorar. Ao escrever um livro, você percebe que precisa ler muitas coisas diferentes e não apenas ficção. É preciso ler livros sobre técnicas de escrita, aprender, estudar. É importante ter em mente que, por melhor que se tenha sido como ficwriter, é preciso ainda mais atenção e cuidado para ser reconhecido como escritor. Afinal, você não será buscado por escrever sobre um personagem ou história que os leitores já amam. É preciso conquistar os leitores para que eles o busquem por você.
Assim, você pode concluir que o processo todo foi mais difícil sim, mas não menos prazeroso.
02 - Qual a sensação de ver que todos os fãs que você conquistou com as fanfics te acompanham na sua carreira de escritora com tanto âmago?
Bom, acho que "todos" é um exagero (risos). Eu fico muito feliz em ter pessoas que não apenas leram as fics, mas acharam que podiam apostar em mim e ler outras coisas que escrevo. É legal ver as pessoas transitando pelo blog, ou pelas minhas colunas no Sul 21 e na Revista Fantástica, mesmo que isso tenha um tom diferente das fanfics. Significa que, pelo menos para alguns leitores (e muitos destes hoje são também meus amigos pessoais), eu sou realmente uma escritora. Alguém que se lê pelo prazer de ler. Isso é o mais gratificante de tudo. Por exemplo, este ano, quando saiu meu primeiro conto original de ficção, publicado na coletânea Steampink, recebi o apoio de um lindo grupo de leitores que foi ao lançamento prestigiar. E, puxa, todos são leitores que conquistei com as fanfics. Confesso que tinha um pouco de medo nessa transição, porém, depois, quando recebi os retornos sobre o conto, percebi que era possível e que já estava acontecendo. Isso foi e é muito bom.
03 - Infelizmente a leitura não é um ponto forte dos brasileiros, e ainda mais a escrita. O genero fantasia é exclusivamente fraco. Como você se sente escrevendo um ramo assim? Não há dúvidas de que você fará muito sucesso, mas qual a sensação de inovar tanto nesse quesito, de estar nessa porcentagem pequena de quem se aventura nisso?
Eu acho que nos dois casos estamos vivendo um momento singular. O número de leitores tem se ampliado muito, especialmente entre os jovens. Basta que se olhe as estatísticas da associação de editoras sobre a venda de livros no Brasil. O aumento nos últimos 5 anos é verdadeiramente impressionante. É óbvio que estamos muito longe do ideal. No entanto, é possível ver um movimento ascendente aí. Acredite, eu mesma vivi épocas muito mais hostis à leitura e aos leitores. Acho que estamos vencendo imagens depreciativas da leitura hoje. As pessoas já começam e deixar de pensar que ler é chato, ou coisa de nerd e CDFs, ou que é feio ler. Os livros tem invadidos os metrôs e, ora, mesmo quem passa o dia na internet passa o dia lendo. Então, eu vejo com muito otimismo a época em que vivemos. O mesmo é válido para a literatura Fantástica e, em especial, para a literatura fantástica brasileira. Se, por um lado, temos as grandes editoras investindo em dezenas de títulos estrangeiros (de qualidade variável, você sabe), também temos editoras pequenas, começando catálogo, que resolveram investir no talento brasileiro. É óbvio que, neste caso também, a qualidade é variável, mas há muita gente boa, muitos livros interessantes de literatura Fantástica (juvenis e adultos) sendo publicados. Já li coisas muito boas e recomendo. Percebo este como um período em que muitas coisas estão nascendo, vai precisar que atinjamos maturidade, como leitores e escritores e que façamos seleções. Tenho fé no que é bom e que é isto que vai permanecer. Sinto orgulho de estar me somando a este movimento. Seja de ampliação do número de leitores, do número de escritores ou do número de textos de literatura Fantástica. Por fim, eu tenho muitas dúvidas de que meu livro vá ser um sucesso (risos), empreste-me sua certeza e ficarei mais relaxada quanto à isso, hehe.
04 - Você mesma citou que ao escrever uma fanfic a gente constantemente está procurando detalhes esquecidos, trechos, e etc; mas que ao escrever um livro também temos disso, só que em maior dimensão. Sendo assim, ligo a um ponto que eu sempre vi: todos temos nossas inspirações, aqueles autores pelos quais nos apaixonamos e acabamaos, inevitavelmente, nos inspirando. Você poderia nos dizer quem são seus autores de livros favoritos, aqueles que te inspiram, que te fizeram querer se tornar um escritora?
A coisa da inspiração é interessante. Quis ser escritora desde muito pequena. Eu não sabia ler, nem, claro, escrever, mas era completamente fascinada por livros. Aprender a ler apenas aumentou essa vontade. Escrevo (mesmo) desde os 12 e pelos 19 cheguei a levar muito à sério a coisa de me construir como escritora. Fiz oficinas, li aqueles autores endeusados, fui fazer meu trabalho de casa direitinho. Porém, eu estava na faculdade e, com o tempo, levar os dois com o mesmo nível de preocupação e interesse ficou muito difícil. Um cansaço com a literatura me fez ficar apenas com minha formação profissional. Não me arrependo. Afinal, é possível escrever profissionalmente no Brasil, sobreviver disso ainda não (com ênfase no AINDA). Quando voltei a me dedicar à literatura o fiz com muito mais maturidade e gosto da forma como isso faz parte de mim hoje (mais do que gostava quando tinha 19 anos), mas é uma questão de trajetória. Então, assim, você pergunta de influências e a tendência de qualquer escritor é referir aos autores que ele gosta. Isso nem sempre que dizer que seu texto remeta, em especial a estes autores. Encontrar um dicção própria na literatura, inclui fazer não uma salada de influências (aí você ainda poderia perceber os elementos em separado), mas uma vitamina, onde não se vê onde uma influência começa e onde termina. Acho que hoje, eu tenho um estilo próprio que consegue se moldar às diferentes exigências de um texto. Ontem, alguém que leu meu conto em Steampink, disse que o texto lembra Austen e Machado (morri com o tamanho do elogio, claro), mas eu vejo nele também influências de Mary Shelley, Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. O conto que vai sair em Quando o Saci encontra os Mestres do terror, tem bastante de Alan Poe e e de Lovecraft (e isso foi intencional). Se você chegar a ler o romance que acabei de terminar, vai ver aí também autores de aventura, a quem tentei alcançar o ritmo como Alexandre Dumas ou Stevenson, acho que não posso negar também a presença nassa lista de autores como C.S. Lewis, Monteiro Lobato ou J.K.Rowlling. Viu? A lista é longa e não sei se não estou esquecendo alguém importante (mesmo pensando nos favoritos).
05 - Finalizar uma entrevista nunca é fácil, afinal, sempre há várias perguntas que gostamos de fazer. Mas acho que vou na pergunta mais "óbvia" e que você já respondeu, de certa forma, algumas vezes: qual a sensação de terminar um livro? Como você se sente sabendo que esta história para a qual você dedicou tanto (esforço, tempo, carinho) já possui fãs, pessoas que apostam nela?
A sensação de terminar um livro é maravilhosa e, ao mesmo tempo, aterradora. E, para falar a verdade, não sei se a expectativa de que há leitores interessados não contribui para ser mais aterradora ainda. É meu primeiro romance, mas como já tenho alguns leitores, ele tem gosto de segunda ou terceira obra. Quero dizer, vem aí um enorme medo de decepcionar, de não corresponder. Ou das pessoas dizerem que gostam porque gostam de você (nunca faça isso, por favor). Mas, a verdade, é que acredito no que escrevi. Não estou afirmando que é bom, nem estou pretendendo revolucionar nada, nem criar nada inusitado e, certamente, não estou fantasiando ficar rica. Só, eu realmente acredito no que escrevo e isso dá uma certa tranquilidade, pois de fato, eu tentei dar o melhor de mim.
Escrevo porque é meu jeito de respirar com tranquilidade, me sinto mais viva quando escrevo. Terminar uma história dá uma enorme sensação de dever cumprido e, principalmente, de existência. Isso porque o que a gente imagina, somente existe, de fato, depois que é escrito. Dizer, hoje: "minha história existe!", é bom demais!
05 - Finalizar uma entrevista nunca é fácil, afinal, sempre há várias perguntas que gostamos de fazer. Mas acho que vou na pergunta mais "óbvia" e que você já respondeu, de certa forma, algumas vezes: qual a sensação de terminar um livro? Como você se sente sabendo que esta história para a qual você dedicou tanto (esforço, tempo, carinho) já possui fãs, pessoas que apostam nela?
A sensação de terminar um livro é maravilhosa e, ao mesmo tempo, aterradora. E, para falar a verdade, não sei se a expectativa de que há leitores interessados não contribui para ser mais aterradora ainda. É meu primeiro romance, mas como já tenho alguns leitores, ele tem gosto de segunda ou terceira obra. Quero dizer, vem aí um enorme medo de decepcionar, de não corresponder. Ou das pessoas dizerem que gostam porque gostam de você (nunca faça isso, por favor). Mas, a verdade, é que acredito no que escrevi. Não estou afirmando que é bom, nem estou pretendendo revolucionar nada, nem criar nada inusitado e, certamente, não estou fantasiando ficar rica. Só, eu realmente acredito no que escrevo e isso dá uma certa tranquilidade, pois de fato, eu tentei dar o melhor de mim.
Escrevo porque é meu jeito de respirar com tranquilidade, me sinto mais viva quando escrevo. Terminar uma história dá uma enorme sensação de dever cumprido e, principalmente, de existência. Isso porque o que a gente imagina, somente existe, de fato, depois que é escrito. Dizer, hoje: "minha história existe!", é bom demais!
Eu (Naty L. Potter) e Marcia Litman agradecemos MUITO pela sua participação e disposição em responder nossas perguntas. Desejamos muito sucesso pra você, e saiba que aqui você tem duas fãs.
A entrevista está ótima, e só aumentou a expectativa por este primeiro romance, que com certeza será isso mesmo: o primeiro de uma lista de bestsellers.
ResponderExcluirPorque acredito nisso? Não apenas por ser sua amiga, mas por ser realmente fã, admiradora do seu estilo - inconfundível mesmo em uma fanfic - seu toque pessoal fantástico, onde o trabalho de pesquisa e construção é evidente, onde nota-se seu empenho em fazer bem feito. E faz!
Nikka, querida, que entrevista espetacular. Muito me inspirou a sua caminhada e muito me orgulhou sua humildade. Cara, aprendi muito nessas linhas. Obrigada, amor.
ResponderExcluirRegina, ñ poderia concordar mais! Sou fã assumida e orgulhosa dessa pessoa e tenho certeza que ela conquistará muitas pessoas com sua escrita formidável e seus plots envolventes.
ResponderExcluirTodinho, verdade, muito inspirador, e muito gostoso de ver q uma pessoa tão talentosa pode ser tão humilde.
Parabéns para a promissora escritora! Queria saber como ela conseguiu publicar o livro dela e como é o processo burocrático para quem quiser enviar uma obra para alguma editora? Grata!
ResponderExcluirParabéns às meninas pela escolha excelente da entrevistada. A Nika tem talento demais e é sempre bom ver isso reconhecido. A cada passo ela está mais eprto do sucesso. E não falo isso como amiga. Falo como leitora e fã assumida.
ResponderExcluirBjks em todas.
Leds, vou perguntar pra ela. ;)
ResponderExcluirPri, concordo PLENAMENTE!
Mamys! Marcia! Parabéns pela entrevista! Nika é linda em tuuudo. Uma pessoa maravilhosa. Estou devendo a leitura do livro... mas isso será resolvido em breve. Sucesso minha Gina Brasileira!
ResponderExcluirNaty e Marcia, adorei a entrevista.
ResponderExcluirEscolher a Nika como entrevistada foi lindo, ela é uma de minhas escritoras favoritas, e posso dizer que adoro o que já li dela, e que estou ansiosa pelo que ela tem de novo para nós.
Meninas, eu agradeço enormemente a oportunidade. Gostei muito mesmo e agradeço ainda aos cometários super atenciosos que o pessoal escreveu aqui.
ResponderExcluirRespondendo rapidinho a pergunta da Leds: cada editora tem a sua maneira de receber originais, então, o melhor é pesquisar no site das que interessam (que têm um catálogo compatível com o que você quer propor para publicação) e então organizar seus originais conforme eles pedem. Tenha excessivo cuidado na revisão antes de mandar qualquer coisa. Ajuda (eu espero).
Assim que tiver mais novidades sobre o livro, eu aviso vocês.
Bjs