Olá, pessoas! Bem, desde que decidimos colocar o blog de volta a ativa que estou tentando decidir qual dos mil temas que tenho planejados que devo escrever. Pode soar estranho, mas eu demoro demais pra fazer um post que eu considere decente pro blog, por isso preciso escolher com cuidado.
Decidi falar desse tema, pois é o que está mais fresco em minha cabeça. Até que ponto chega a importância dos livros? Será que os subestimamos, ou pelo contrário, superestimamos? E até que o ponto o substrato “livro” é diferente de outras formas de escrita? Resolvi dissertar um pouco sobre este assunto, fica o convite para lerem meus devaneios mais abaixo.
O quê? A princípio parece simples: a proibição de livros. Mas não, é muito mais complexo. Pense, quais livros? Livros didáticos? Romances? Antologias poéticas? Enciclopédias e dicionários? Bíblias? Porque você há de convir que não é tão simples assim, há vários e vários tipos de livros com vários e vários propósitos, e no mundo real uma regra que bane livros simplesmente por banir torna-se vazia e sem explicação. E então eu digo que não há como se decidir o o que sem sabermos o por que.
Por quê? Oh, esta é fácil, certo? Errado. Eu na verdade a acho ainda mais difícil. O argumento óbvio seria pois livros criam serem pensantes e pessoas que pensam atrapalham o governo. Mas é aqui que eu conecto o nosso “por que” ao nosso “o que”. Todos os livros aguçam o raciocínio? Até que ponto podemos comparar a taxa de evolução de uma mente ao ler, de pessoa pra pessoa? Não se pode negar que há aqueles que lêem e não se desenvolvem – coisa que reflete claramente em suas futuras escolhas de livros e argumentação sobre eles. Quero dizer, podemos dizer que por ler muito Charles Dickens a pessoa se torna mais culta? Que todas as mentes que lêem seus livros evoluem da mesma forma? Ou então que alguém que não gosta de José de Alencar é de certa forma inferior, quando na verdade talvez essa pessoa tenha vários motivos ambientados na ciência da lingüística para ter tal opinião? Vou mais longe ainda e interfiro em meu gosto pessoal quando pergunto: uma pessoa é menos inteligente por gostar de 50 tons de cinza ou de crepúsculo? Eu acredito que, apesar de eu considerar tais livros ruins, deve-se haver algo de bom sobre eles, e digo mais quando afirmo que como uma pessoa se sente em relação a um livro varia muito de acordo com como ela está se sentindo no momento, em que fase da sua vida ela está e quais suas ideias e expectativas imediatas. Então, sim, eu acho que uma pessoa que lê tem uma capacidade maior que as que não lêem de se tornar mais culto, mas não acho que o ato da leitura, e ele somente, seja o responsável por isso.
E então me atrevo a entrar brevemente em livros didáticos. Seriam estes as reais ameaças? Afinal eles apresentam de forma concreta – diferentemente do abstrato que ficções e romances oferecem – o conceito de sabedoria. Eles trazem as informações e conhecimentos prontos para o leitor, cabendo a eles estudá-los e aperfeiçoá-los, apenas. Mas, então, não temos o sentimento por trás das palavras que livros em prosa nos trazem. E talvez seja isso que motive a sabedoria. Quem pode decidir?
Como? Ah, esta é provavelmente a questão que mais me deixou encantada em debater. Veja bem, tentei imaginar como seria um dia – sim, um único e mísero dia – de minha vida, caso possuir e ler livros fossem proibido. Não foram precisas muitas horas dentro da minha manhã para encontrar falhas. Veja bem, eu levantaria às 08h20., tomaria banho, colocaria uma roupa, comeria alguma coisa rapidamente e sairia para pegar o ônibus e ir pro trabalho, como sempre. Chegando no trabalho eu iria até a minha mesa e trabalharia no meu atual projeto. Eventualmente me surgiria uma dúvida (seja o que significa tal sigla ou como tal processo funcionar ou qualquer outra coisa), e eu teria de olhar em alguma das minhas apostilas. Opa. Não, não poderia olhar em minhas apostilas, pois não existiriam apostilas. Afinal, apostilas são livros. Certo? Ou não? Pois é, também fiquei confusa. Porque até que ponto é necessário que todas as fontes de informações sejam banidas? E como funcionaríamos sem elas? Mas bem, consegui me esquivar facilmente disso, ora, provavelmente terei um arquivo em pdf ou mesmo txt em meu computador com as informações que preciso. Mas foi aí que notei que idiota, porque pdfs são livros. Não são? Ou só porque não estão impressos, só porque não são a definição exata de livro no dicionário, não são considerados livros? Mas, e se não forem, não seria tão simples viver colocando o conteúdo de livros no computador, ou mesmo nos já atuais e-books? Perderíamos o livro físico, mas a ideias e sensações ainda nos acompanhariam. E não seria exatamente isso que o governo gostaria de evitar, que livros nos influenciassem? Logo, supus que arquivos digitalizados também seriam extintos. Mas então, como o mundo funcionaria? Porque veja, sem livros não teríamos material escolar. Não teríamos cadernos, pois pensem, cadernos são livros. E se não tivéssemos maneiras de estudar, não teríamos estudo. É isso que o governo quer, você deve estar pensando. Sim, tem razão, mas não nesse nível, certo? Porque a realidade é que um mundo onde livros – a essência, não o substrato – não existem, é um mundo onde não existe conhecimento algum. Não é simplesmente falta de raciocínio como na realidade presenciamos nos dias de hoje, mas é uma total de falta de ideias, aspirações, conhecimento. É um órgão incrível como o cérebro humano completamente vazio, preenchido apenas por instintos naturais que nos colocariam no mesmo nível – senão abaixo – do que animais selvagens. E isso tudo me deixa completamente sem palavras frente a pergunta como.
Acho que essa simples idéia de proibição de livros me abriu a mente pra algo que eu nunca tinha notado. Não é livro, o ler histórias e pegar mensagens subliminares. Não. É tudo. É desde uma frase sem sentido em um biscoito da sorte – que juntas em um caderno, várias dessas formariam um livro -, até um manual de instruções. É o princípio da química e as noções de geografia. E é também aquele sentimento bom quando um livro que amamos tem um final feliz. É o conjunto de diferentes tipos de sentimentos e sensações que cada coisinha nos proporciona, nos moldando como seres pensantes e criativos que têm como propósito ajudar a moldar outros no futuro.
Então na verdade, a proibição de livros nada mais é do que pura fantasia. Porque com isso, ou é oito ou é oitenta. Ou fadamos o mundo como conhecemos hoje a desaparecer em uma questão de anos, junto com o sumiço do pensar, ou mantemos as pessoas que buscam melhorar sempre e que insistem em manter viva a chama da inteligência e do raciocínio.
E minha conclusão com isso é que simplesmente livros na verdade são uma pequena parte do que é o mundo das ideias. E cabe apenas a nós mesmos manter isso.
Eu estou aqui, tentando fazer a minha parte. E você?
Uau, Naty que belo texto! Eu nunca tinha pensando tão a fundo sobre esse assunto. Acho que a sua divagação me lembra um livro muito famoso, o "Fahrenheit 451" que eu tive a oportunidade de ver o filme (o livro ainda não encontrei para ler). Eu diria que a essência humana está centrada no conhecimento, o saber. Desde do dia que o homem aprendeu a registrar seu cotidiano nas paredes de cavernas, ou quando os egípcios inventaram/descobriram o papiro, aprendendo assim, a registar coisas importantes da sua cultura, a humanidade nunca mais foi a mesma e se ela é hoje o que conhecemos, se deve a escrita. Não é a toa que a escrita foi uma revolução, ou seja, deixamos o nosso lado "selvagem" e atingimos um patamar superior de inteligência. Já imaginou como seria o mundo se a escrita nunca tivesse sido descoberta? Registros históricos, milênios de conhecimentos e aprendizados simplesmente não existiriam. Muito provavelmente ainda viveríamos em cavernas! Jamais teríamos evoluído, ou seja, a revolução da escrita é ou foi tão importante como a descoberta do fogo e da agricultura. É a nossa marca como ser humano, é o que conta a nossa história e quem somos nesse mundo. Eu diria que os livros no geral, todos os livros são uma enorme biografia da humanidade.
ResponderExcluirParabéns por esse belo texto! *.*
Fahrenheit 451 é justamente um dos livros indicados pelos autores da antologia, o qual eu ainda ñ tive a oportunidade de ler ou ver o filme.
ExcluirMas sim, foi exatamente isso q quis passar com o texto, q a escrita é muito mais q meras palavras, é o q somos como humanos, como seres vivos e pensantes e superiores (apesar de algumas pessoas ñ serem tanto assim).
Obrigada por ler e por esse lindo comentário, amore.